Evolução histórica da Vila Alexandre Mascarenhas

1890 - (aproximadamente) a construção da 1a. casa. Primeiro nome da localidade: Bom Será;

1944 – construção da Ulha Branca; “Hulha Branca empresa do grupo Oton Bezerra de Melo que construiu uma hidroelétrica no Rio Parauna, para fornecimento de energia à industria têxtil de propriedade do mesmo grupo: Fabrica Maria Amália, localizada em Curvelo. A construção da usina é anterior a 1944; nesta época procedeu-se a expansão da hidroelétrica.”;

1959 a 1960 – construção da ponte sobre o Rio Parauna e construção do asfalto que liga Diamantina a Curvelo - MG259. “Trata-se da ponte de concreto, em uso atualmente, nesta época já existia uma ponte de madeira, por sinal belíssima, hoje, semi-destruida, mas que deve ser considerada como ponto turístico importante da cidade de Presidente Juscelino. Esta ponte se localiza, aproximadamente, um Km abaixo da ponte de concreto”;

1960 – Mudança do nome da Escola Rural Crime para Escola Rural Henrique Moreira Só;

1964 – Criação da Escola Rural Municipal “Parauna”:

1970 – Chegada da energia elétrica;

1970 – Construção do posto de gasolina;

1973 – Construção da Fábrica de Molho de Pimenta “Ki Bacana”;

1977 – Mudança de nome da Escola Rural “Parauna” para Escola Municipal “Parauna de Cima”;

1979 – Denominação do povoado como Vila Alexandre Mascarenhas;

1979 – Mudança do nome da Escola Municipal Parauna de Cima para Escola Municipal “Ciro Ribas”;

1982 à 1983 – Construção de uma Unidade de Saúde;

1983 – Dá-se nome a Logradouro Público: Rua Theódulo Alves Prado;

1986 – Delimitação da Zona Urbana da Vila Alexandre Mascarenhas;

1987 – Criação do Conselho Comunitário de Vila Alexandre Mascarenhas CODEVAM

1987 – Mudança de nome Escola Municipal “Ciro Ribas” para Escola Estadual “Ciro Ribas”;

1990 – Construção da quadra de Esportes Dona Lilita;

1991 – Criação de uma Agência de Correio Satélite;

1998 – Primeira reforma da Escola Estadual “Ciro Ribas”;

2000 – Instalação de telefones residenciais;

2000 – Construção do Campo de Futebol Ely Alves Dumbá.

História do Povoado

Diz a história oral que a primeira casa construída nesta localidade teve inicio no final do século XIX, quando o governo do Estado de Minas Gerais, contratou uma equipe formada por engenheiros e outros profissionais para fazerem uma pesquisa de local tendo em vista a construção da nova Capital Mineira.
Segundo, ainda, a tradição oral nesta época o local ficou conhecido como “Bom Será”. Na época mais duas regiões de Minas Gerais candidataram-se para sediar a nossa Capital: a região de Juiz de Fora e a região do lugarejo do Curral Del Rei.
As forças políticas de maior peso decidiram pela região do Curral Del Rei, onde de fato, foi construída a capital: Belo Horizonte. Daí então os engenheiros venderam a casa que havia sido construída para o Senhor Joaquim Barbosa da Fonseca.
Outro fato marca a historia do nosso povoado. Diz a história oral, que o jovem padre Vicente de Paulo viajando de Diamantina a Curvelo , ao atravessar o córrego que se encontrava cheio, foi levado pelas correntezas, por isso o nome Crime. Este nome permaneceu até 1979 quando passou a se chamar Vila Alexandre Mascarenhas. O povoado também era conhecido como Parauna de Cima, devido à proximidade com a antiga Parauna, hoje Presidente Juscelino. Consta que o nome Vila Alexandre foi sugerido pela Senhora Noeme França Campos que residiu na vila por algum tempo.

As primeiras famílias

Henrique Moreira Só – proprietário da maior parte das terras que formam hoje a Vila, foi quem fez o primeiro loteamento, favorecendo o crescimento do lugar e doando o lote para construção da Capela N.S. do Rosário. Durante 3 anos, um quarto de sua casa, serviu de escola para as crianças aprenderem as primeiras lições. Henrique Moreira Só foi o responsável pelo povoamento de Vila Alexandre, e, hoje seu nome identifica a principal avenida do lugar.

Joaquim Barbosa de Oliveira – filho de Joaquim Barbosa da Fonseca e Benvinda Martins de Oliveira nasceu em 1911. Era o delegado da localidade. Conseguiu aliviar os sofrimentos de muitos, através de suas benzeções. A fé, a oração, a caridade, a bondade, eram seu ideal de vida.

Altino Moreira Só – nasceu em 30 de junho de 1917, filho de Henrique Moreira Só e de Joana da Silva Rocha. Homem laborioso, de um vigor físico incomum, extremamente humano, tratava a todos sem distinção. Casou-se com Rita Cassimiro de Castro, em 1948, e, tiveram 12 filhos.

Ely Alves Dumbá – nasceu na fazenda do Barreiro, em 03/12/1930, filho de João Alves Dumbá e Alice Maria Santos. Casou-se com Ana Maria de Castro, e tiveram 9 filhos. Foi considerado o maior jogador de futebol da região, jogou no Tijuco de Diamantina e teve convite para o futebol profissional, no Botafogo do Rio de Janeiro, seu time do coração, mas o chamado do sertão foi mais forte e ele não foi. O campo de futebol da Vila leva seu nome.

Belarminio Joaquim de Oliveira, casado com Jacinta Alves da Conceição, pai de 7 filhos, grande fazendeiro da região. Os produtos que eram fabricados em sua propriedade eram revendidos para outras localidades, transportados em tropas de burros. Suas tropas retornavam da região de Diamantina trazendo café produto que não se plantava aqui.Nos momentos de descanso Belarminio tocava sanfona e reunia os amigos na casa de Ozório Santana.

Maria Odete de Souza, trabalhou ativamente para a construção da Capela de N.S. do Rosário Criou o costume de rezar o terço de N.Senhora. Foi a primeira zeladora de nossa capela participando ativamente de todos os atos religiosos.
Realizou as primeiras festas dedicadas a N.S. do Rosário, trazendo de sua terra natal (Presidente Kubitschek) todo o legado cultural do Rosãrio: bandas de música, grupos folclóricos, marujos e caboclinhos alem do cortejo do reinado.
Fundou a Conferência Vicentina.

Ozório Ferreira Santana, nasceu em 01/01/1899, casado com Vidilina Maria de Oliveira com quem teve 11 filhos.Foi agricultor, carpinteiro, construtor, pescador e comerciante, em sua casa funcionou o primeiro comércio da Vila.
Sua antiga residencia, hoje, sob os cuidados da filha Madalena, está bem conservada ao lado da estrada de rodagem antiga.

João Alves Dumbá, filho de Joaquim Alves Dumbá e Idalina, nasceu na Fazenda do Barreiro, e, ali viveu toda sua vida. Casou-se com Alice Maria dos Santos com quem teve 5 filhos.
João Dumbá tinha o costume de fazer, todos os anos, as fogueiras nas festas juninas, com participação de familiares, amigos e vizinhos e também, fazia anualmente, a festa de São Sebastião, com missa e procissão; cuja tradição ainda é mantida pela família. Construiu, em sua fazenda, uma capela em homenagem a São Sebastião, santo de sua devoção. A fazenda do Barreiro era um ponto de pouso de tropeiros e boiadeiros. João Dumbá faleceu em 21/06/1960.

Festas e tradições culturais

Dentre os vários acontecimentos na comunidade um dos mais importantes e marcantes é a festa do padroeiro. Desde a construção da capela de N.S. do Rosário iniciou-se a festa dedicada a Ela. Data de 1976 a realização da primeira festa promovida pela família de D. Odete, primeira zeladora da capela.
A representação folclórica da festa foi trazida da região de Presidente Kubitschek com congado e reinado. Permanecendo por mais de 5 anos esta tradição; mais tarde descontinuada, por não fazer parte dos costumes locais.
Hoje a festa é realizada de forma simples: novena e procissão. As tradicionais barraquinhas já não acontecem, por determinação do Arcebispo Metropolitano.

Forró da Vila Alexandre Mascarenhas

Já se tornou tradicional o Forró da Quadra, realizado sempre no mês de junho. O primeiro Forro aconteceu em 1988 por iniciativa do Conselho Comunitário e da Escola Estadual Ciro Ribas, com objetivo de gerar fundos para as atividades escolares: merenda e material escolar. O sucesso foi grande. Atualmente tornou-se um evento capaz de reunir pessoas de toda a região e de cidades vizinhas, sendo esta uma oportunidade que as famílias tem de se reunirem, inclusive com membros que moram fora do local. Banner Forro 2011
Acontecia eleição e desfile da Garota Forró alem de outras atrações tais como: quadrilha, torneio de futebol, torneio de truco, cavalgada, show de artistas locais.

Comentários gerais

Aqui termina a valiosa colaboração dos historiadores mirins da professora Rosilene. Eles, ao editarem o livro “Historia da Vila Alexandre Mascarenhas” estavam focados na localidade, seus costumes, sua tradição, sua historia. O foco, neste site, é a zona rural do município de Gouveia; por isto, algumas considerações a mais se fazem necessárias.
O mapa do município, apresentado algumas páginas atrás, foi digitalizado da publicação: “Gouveia Sempre Viva”. Ali está, alias muito bem feita, a avaliação dos programas de apoio e desenvolvimento da zona rural e aparelhamento da zona urbana – Administração Geraldo Bitencourt. Adotou-se um modelo interessante para traduzir a interligação entre as diversas povoações da zona rural do município. Ditas povoações foram classificadas em dois grupos: Centros de Irradiação-CI e Núcleos Comunitários-NC. Neste modelo, a Vila Alexandre Mascarenhas é um centro de irradiação, ligado aos núcleos comunitários seguintes: Cemig, Cafundós, Catarina dos Couras, Riacho dos Ventos e Capivara. Cada um destes núcleos tem suas particularidades, em função do tipo de exploração. No Riacho dos Ventos, por exemplo, a maioria da população masculina trabalha na exploração de pedras nas regiões de Paraopeba e Papagaio, e, estão em casa nos fins de semana. Cafundós e Catarina dos Couras são regiões de pequenos propriedades, quase sempre, exploradas pelos próprios proprietários. Na Capivara há grandes e medias propriedades, com enfoque maior em pecuária.


A região possibilita belos passeios: cachoeiras e pedras no leito do Rio Capivara, praias e cachoeira no Rio Parauna, pescaria no Rio Cipó.

Para explorar, mais um pouco, este tema, considera-se o prolongamento da área de influencia da Vila, até o Córrego da Contagem. Dito córrego, nasce a, aproximadamente, um Km da usina eólica da Cemig, na direção de Gouveia.
Numa vereda à direita da rodovia, nasce o pequeno regato que seguindo na direção sul, desemboca no Rio Parauna. Descendo o Parauna até a foz do Rio Capivara e subindo por este até sua nascente, na localidade denominada Crioulos. Daí pela serra até a nascente do córrego da contagem. Fechando assim uma imensa área, tendo como referencia as áreas das fazendas da região.

Esta área é conhecida como Fazenda do Galheiro. As terras, em comum, na dita fazenda, foram levadas a um processo de divisão, sob a responsabilidade técnica de agrimensores de Curvelo – família Murthé, na década de 1940. Feito o trabalho, o agrimensor segurava o dossiê para garantia de recebimento dos seus honorários. O condômino, não pagava, sem ter os documentos em mãos, pois. sabia que em vista de divergências entre condôminos, o processo, numa decisão judicial, seria demorado. O Juiz da Comarca não podia julgar sem o processo em mãos. Assim criou-se o circulo do cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Resultado: quem tinha posse de terrenos, procurou mante-la. Na década de 1970 a Ruralminas – empresa mista do Governo de Minas, considerou as terras da Fazenda do Galheiro como terras devolutas e legalizou para muitos condôminos e muitos posseiros.

Interessante observar que o Registro de Terras, mandado fazer pelo Imperador Pedro II, em 1850, que ficou conhecido como Registro Paroquial; porque foi feito pela Igreja Católica, contratada para tal. Em tal registro, disponível no Arquivo Publico Mineiro, não há um só registro de terras na área coberta pela Fazenda do Galheiro. Isto é, no mínimo, curioso.

Outro aspecto interessante, do ponto de vista histórico, é que a área agora em discussão, é a única parte do Município de Gouveia que esteve fora do denominado Distrito Diamantino. O limite era a Contagem do Galheiro, onde se postava um grupo de fiscalização para impedir o contrabando de diamantes.

Um pouco de folclore

Em algum dia, no inicio da década de 50, século passado, a Secretaria Estadual de Fazenda mandou instalar posto de fiscalização de mercadorias nos limites dos municípios de Diamantina e Curvelo. Colocou-se, então, na margem esquerda do Rio Parauna, município de Curvelo, uma barreira – tirante de madeira que obrigava a parada dos veículos para a fiscalização. Pedro Miranda, líder político de Ponte do Parauna, juntou um grupo de moradores, e, simplesmente, arrancou a barreira e destruiu as instalações do fiscal. A população local não aceitava a imposição do Estado. A Secretaria, simplesmente, transferiu o posto para a margem direita do Rio, e a barreira, agora, no município de Diamantina foi instalada próximo de onde, hoje, tem um posto de combustível. A intensificação da fiscalização causava certo transtorno para os comerciantes de gado entre os dois municípios. Como resolver o problema? Alguém de Ponte do Parauna, margem esquerda do rio, arrendou ou comprou um pasto no Crime, margem direita; onde pastavam suas vacas de leite. As vacas, cujos bezerros ficavam na margem esquerda, atravessavam, sem interferência humana, a barreira e o rio, pelos bezerros e pelo condicionamento. Não havia o que fiscalizar, as vacas iam e voltavam logo depois. Enquanto isto o comerciante que precisava transpor a barreira, juntava suas rezes, bem cedinho, com as vacas de leite. E, as rezes, pelo hábito gregário do bovino, acompanhavam as vacas, na travessia. O boiadeiro, tomava, calmamente, seu café em algum barzinho e depois seguia, para separar suas rezes já na margem esquerda do Rio Parauna.

Com a palavra nosso historiador:Professor José Moreira de Souza

Loteamento de Paraúna de Cima.
De acordo com o Censo Provincial de 1831, o maior quarteirão do distrito e paróquia de Santo Antônio da Gouveia era o de número 9.
Ele se estendia da Contagem do Galheiro abrangendo ainda o Sítio chamado Quilombola, alcançando a Barra do Rio Paraúna passando pela Mandassaia a Fazenda Cedro e locais denominados Sepultura e Paiol. Era, portanto, uma área de ocupação bastante rarefeita.
Quais são os outros quarteirões? Quarteirões do Distrito de Gouveia – 1831
Código Descrição_quarteirão Topônimos
1 AArraial da Gouveia Quarteirão Central; moram neles os comerciantes e o Alferes José Velho Cabral, e Francisco de Ávila Cabral, fiscal do distrito e minerador
2 Arraial da Gouveia Quarteirão Central parece que na rua do Cruzeiro, moram os Lelis, Dona Mariana Perpétua Marcelina e o padre Manuel Ribeiro de Oliveira
3 Arraial da Gouveia Parte mais rarefeita, entorno do Rosário
4 Pé do Morro/estradas para o Arrayal do Tejuco pé do morro/sitio Horta ou Datas/ João Vaz/Faz.Capão/Corgo Danta/ Chacra Xiqueiro/Faz. Sta Bárbara
5 Cachimbo Parte Central
6 Cachimbo, limite com Indrequicé, Milho Verde e São Gonçalo Faz. Cachoeira/Batieiro/Pombal Rio Cachoeira abaixo
7 Cachoeira Abaixo pela Parte Sul/ divisa com o Indrequicé Fazenda do Capão/Espinho/Espadeiro/Bom Sucesso/Fazenda da Ponte de João Pinto/Caffoco?/Abaixo do Arraial Velho/Sítio das Almas
8 Limita com o Indrequicè pelo Ribeirão Gopiara de São PatrícioMandassaia/ Cazaca/Faz. Agua Limpa/Muquém/Tigre/Ribeirão da Areia
9 Limita com o Paraúna, divide com o Sertão/Contagem do GalheiroContagem do Galheiro/Sítio chamado Quilombola/Barra do Rio Paraúna/Mandassaia/Fazenda Cedro/Sepultura /Paiol
10 Partilha com o SertãoPalmital/Faz. Os Gomes/Tombador/Palmital/ Tamanduá/Ribeirão da Areia
11 Serra com o Sertão e Rio Pardo/Tijuco /Rio PardoQuebra cangalha/ Barra do rio Grande/Picada/Rio Pardo Pequeno/Bocaina/Faz do Cuiabá/Lagoa//Chapadinha
12 Divisa com o 10º e o 4º quarteirõesBeira do Rio Grande/Paciência/ Beira do Rio do Chiqueiro/Monjolos
13 Divisa com 10/12/07quarteirõesSubúrbio do Arraial de Gouveia/Beira do Rio do Chiqueiro// Sítio dos Monjolos/Lapinha/Arraial Velho/Paciência
O Rio Paraúna era o limite natural do município de Diamantina e o que seria o de Santo Antônio do Curvelo.Ultrapassado o rio Paraúna constituiu-se um pequeno povoado, “a miserável aldeia do Paraúna”, segundo expressão de Richard Burton que a conheceu no final de agosto do ano de 1867. Essa aldeia vinha de ser constituída como sede de distrito por iniciativa da Câmara de Curvelo. Sua principal função era de ser o ponto mais avançado de comunicação do Distrito Diamantino com o Sertão. Esse povoado foi elevado a paróquia com o nome de São Sebastião do Paraúna no ano de 1872. Sua elevação a paróquia trouxe como conseqüência a influência sobre a área que compreende a região do Capivara, do Cafundó, do Riacho dos Ventos, da Cachoeira do Paraúna e do Crime.
Esta região foi visitada em 1891, por iniciativa do deputado gouveiano, padre Manuel Alves Pereira, como candidata a sediar a futura capital de Minas.
Quando Gouveia se emancipa do Município de Diamantina, em 12 de dezembro de 1953, os limites do distrito são mantidos nessa parte, permanecendo o rio Paraúna como marco natural. Nessa época, o povoado do Paraúna permanece distrito até o ano de 1962, oportunidade em que é elevado a sede de município, desmembrado do município de Curvelo, com a designação de Presidente Juscelino. Nessa época vinha sendo construída – desde 1953 - a estrada Belo Horizonte – Salto da Divisa. No primeiro desenho, a rodovia passava dentro da cidade, pela ponte de madeira, até que, com o asfaltamento completo, construiu-se um anel rodoviário, desviando o tráfego do centro da cidade. Nessa construção, o acesso pelo norte foi desativado e a ponte antiga abandonada. Desse modo, a cidade passou a se articular com a rodovia apenas pelo sul.
Foi nessa oportunidade que os Moreira Só cuidaram de parcelar suas terras na área limítrofe com a rodovia na parte norte, criando o povoado de Paraúna de Cima.
O adensamento da cidade para fora dos limites do município passou a incomodar as elites locais. Presidente Juscelino crescia já no município de Gouveia, inventando uma conurbação sui generis, aglomerado urbano como previsto na Constituição da República de 1988.
Aconteciam aí dois fatos incômodos. O primeiro é que o crescimento vegetativo da cidade se dava fora dos limites municipais, sem modificar a demanda pelos serviços da sede – saúde, educação e até mesmo sepultamento se davam na cidade. O outro é que os moradores mesmo residindo fora do município se identificavam com a cidade do “Paraúna”. O próprio nome, “Paraúna de Cima”, denunciava esta realidade.
Cientes dessas dificuldades, a população da cidade se mobilizou para sensibilizar os dirigentes de Gouveia a reverem os limites do município. De acordo com a alteração proposta, o município do Paraúna – Presidente Juscelino – se estenderia até a serra. O Vigário à época, padre Jessé, abraçou a causa. Aos domingos promovia procissões com a imagem de São Sebastião até a ponte abandonada, para que o santo padroeiro iluminasse os dirigentes de Gouveia e os convencesse da necessidade de alteração dos limites do município.
Da parte de Gouveia, o incômodo maior se mostrava nessa falta de identificação com o território municipal. Foi por isso que a prefeitura promoveu a alteração do nome para Vila Alexandre Mascarenhas. Esperava-se com isso conseguir os moradores ao abandonarem o nome original, apagassem da memória seu pertencimento ao outro lado do Paraúna.



Alguns mapas, fornecidos pelo Professor José Moreira de Souza, desehados quando ele realizou os estudos para a elaboração do Plano Diretor do Municipio de Gouveia. Ditos mapas são apresentados com o Adobe Photoshoping para que se possa melhor aproveitar os recursos de ampliação. Clique sobre os itens abaixo.